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domingo, 2 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Sonhos de peso (também chamados pesadelos)
Não tenho tido os vulgares sonhos absurdos e perturbadores da gravidez. Isto é, não vejo um bebé deformado, uma criança que me desaparece no útero, um filho que, de alguma forma, se perde. Os meus pesadelos levam-me todos à minha filha - ela desaparece, é-me roubada, fazem-lhe as maiores atrocidades e eu endoideço, impotente, até que o despertador me acorde. Vem tudo do mesmo, eu sei. Eu sei que isto há-de passar, que o tempo se vai encarregar de me trazer a paz, descomplexada e de consciência leve. Até lá...
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Estou pronta OU 19,9 mm = 96 cm
Ainda ao início desta tarde, mantinha como inconcebível a ideia de poder vir a amar outra criança como amo a R. Como?! Como posso eu replicar semelhante paixão?!
Até que me deu o vento. Um vendaval. Um tornado, à escala da nossa benigna geografia. Estacionei o carro na rua e saí para a tirar pelo outro lado. A tormenta era tal, que percebi logo que teria de carregar a miúda ao colo. Atravessei a tiracolo toda a carga de alças generosas e segurei numa mão a lancheira de asa curta e a capa com as impressões da ecografia e respectivo relatório médico. Não, assim, não ia lá. Precisava de libertar as duas mãos para poder içá-la ao colo. Pousei então o material ecográfico no tejadilho, com o peso da lancheira em cima, convencida de que, naquele instante, a minha prudência avaliava muito bem a força do vento. Dois segundos, foram dois segundos, e saltou a lancheira, desmantelou-se a pasta de cartão, voou o imaculado relatório, seguido das impressões ecográficas, arrancadas ao agrafo que as prendia. A coisa foi de uma tal brutalidade, que foi como se, de repente, tivessem apagado a luz. Perdi o rasto ao que voou. Não queria acreditar. Tudo perdido... Não! Não! Lá vai ela! A folha! Fechei a miúda no carro, corri, corri, corri, corri, corri, com quanta força tive e agarrei a desgraçada! Olhei para trás e vi a R. de boca escancarada, para lá do vidro, ao estilo do melhor cinema mudo, desfalcado de instrumental. Voltei a correr, abri-lhe a porta, assentei-a na anca, escondi-lhe a cara entre o ombro e o pescoço, e toca de correr atrás da série de imagens a preto e branco (o fime, lá está!) que avistei entretanto. Agarrei-as! Perderam-se duas que não voltei a ver...
Só depois pensei que, provavelmente, podia ter pedido segundas vias de tudo aquilo e a gincana nem sequer se justificaria... Mas que diabo! Naquela papelada estavam as notícias frescas da minha mais recente paixão! 19,9 mm na mão. 96 cm à anca. Segui feliz. E vão dois sorrisos daqueles num dia só.
Até que me deu o vento. Um vendaval. Um tornado, à escala da nossa benigna geografia. Estacionei o carro na rua e saí para a tirar pelo outro lado. A tormenta era tal, que percebi logo que teria de carregar a miúda ao colo. Atravessei a tiracolo toda a carga de alças generosas e segurei numa mão a lancheira de asa curta e a capa com as impressões da ecografia e respectivo relatório médico. Não, assim, não ia lá. Precisava de libertar as duas mãos para poder içá-la ao colo. Pousei então o material ecográfico no tejadilho, com o peso da lancheira em cima, convencida de que, naquele instante, a minha prudência avaliava muito bem a força do vento. Dois segundos, foram dois segundos, e saltou a lancheira, desmantelou-se a pasta de cartão, voou o imaculado relatório, seguido das impressões ecográficas, arrancadas ao agrafo que as prendia. A coisa foi de uma tal brutalidade, que foi como se, de repente, tivessem apagado a luz. Perdi o rasto ao que voou. Não queria acreditar. Tudo perdido... Não! Não! Lá vai ela! A folha! Fechei a miúda no carro, corri, corri, corri, corri, corri, com quanta força tive e agarrei a desgraçada! Olhei para trás e vi a R. de boca escancarada, para lá do vidro, ao estilo do melhor cinema mudo, desfalcado de instrumental. Voltei a correr, abri-lhe a porta, assentei-a na anca, escondi-lhe a cara entre o ombro e o pescoço, e toca de correr atrás da série de imagens a preto e branco (o fime, lá está!) que avistei entretanto. Agarrei-as! Perderam-se duas que não voltei a ver...
Só depois pensei que, provavelmente, podia ter pedido segundas vias de tudo aquilo e a gincana nem sequer se justificaria... Mas que diabo! Naquela papelada estavam as notícias frescas da minha mais recente paixão! 19,9 mm na mão. 96 cm à anca. Segui feliz. E vão dois sorrisos daqueles num dia só.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Queixas
Não tenho. Da primeira gravidez ainda enjoava, embora não passasse disso mesmo. Agora nada. Nada, não. Agora passo pelo pior dos males. Preferia as náuseas, os vómitos em salva, o sono torturante, a cabeça em looping, tudo, qualquer coisa menos a limitação de não poder dar colo à R.. Deixei de poder dar-lhe colo, levantando-a do chão, enrolando-a contra mim, convidando-a ,num desafio tácito, a encaixar-se, como peça de puzzle finalmente casada. Não sei dizer do quanto está a custar-me. Das vezes que não resisto à tentação e à saudade, tenho sempre a pontada no útero a lembrar-me o abuso. Enquanto estou em casa, fico agora mais tempo sentada, aliciando-a para um colo limitado e diferente daquele que sempre lhe sustentou o peso elevado à força de braços. Nunca pensei que a partilha começasse tão cedo. Quando julgamos que estamos preparados para tudo, eis que o mundo nos troca as voltas... Mas eu volto, R., e hei-de içar-te, rodopiar contigo em movimento centrífugo, com toda a força, até ficarmos tontas, bêbedas de riso. Eu volto, mesmo que te apanhe já para lá dos 20 kg.
sábado, 16 de junho de 2007
Papel de embrulho
- Olha! Vês, R.? O Ruca tem uma mana mais pequena! Também gostavas de ter um mano mais pequeno?
- Não.
- (Glup...) Hmmmm... Não gostavas de ter um mano bebé?!
- Siiiiiiiiimmmm!....
OK. Primeira lição: atenção ao papel de embrulho.
- Não.
- (Glup...) Hmmmm... Não gostavas de ter um mano bebé?!
- Siiiiiiiiimmmm!....
OK. Primeira lição: atenção ao papel de embrulho.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
E se?...
Gosto de ponderar os ses todos. Hoje ocorreu-me mais um. Quer dizer, já tinha pensado nele antes, mas hoje faço questão de o registar aqui, como pegada em cimento fresco, para que um dia mais tarde não venha o dito a passar por não dito.
E se a minha segunda gravidez não chegar a acontecer? Se lá para Dezembro estiver tudo na mesmo? Se isso acontecer, aconteceu. Ponto. Não há por que desesperar, ou considerar outras saídas. Este segundo filho não é uma causa desesperada. Nem eu nem o pai o vemos como uma prioridade a concretizar a todo o custo. Talvez por a primeira nos custar tanto a criar, talvez por passarmos as passas do Algarve para lhe dar aquilo que consideramos o mínimo indispensável, talvez por não nos passar pela cabeça demitirmo-nos da nossa condição de pais nem por um segundo, talvez por os seus primeiros meses de vida terem representado um verdadeiro terramoto nas nossas vidas... talvez por tudo isso, a ideia romântica e idílica de conceber um filho passou à história. Para nós, agora, a concepção de um filho tem muito mais de aventura toldada pelo peso da responsabilidade, do que de sonho alimentado por um imenso AMOR, que de tão grande já não nos cabe nos corações e precisa de desdobrar-se num novo ser. O AMOR continua imenso, bem entendido, mas sentimos que a filha que já temos o absorve como um mata-borrão à beira da tinta derramada. De forma que um novo filho não é já sentido como uma necessidade vital, mas simplesmente uma busca lúcida de equilíbrio, que consideramos importante na vida em família. Digamos que não nos agrada a ideia de vê-la crescer como ÚNICA, nem deverá ser muito saudável fazer dela uma barragem sem comportas, a rebentar com todo o AMOR, que é em nós uma termenda energia, renovável e inesgotável. Não é bom. Um irmão representaria aqui, com toda a certeza, o equilíbrio de que precisamos, os três. Ele, que terá direito também à sua cota parte de energia retida, aprendendo a abrir comportas quando assim tiver de ser. A ideia de sermos uma barragem de águas paradas não nos seduz, não queremos correr esse risco, queremos antes ser um rio, ora mais rápido, ora mais pacato, certos de nos virmos a entregar ao mar, um dia.
Para todos os efeitos, fica a impressão em cimento: se a segunda gravidez não acontecer dentro de três anos, deixaremos de esperar por ela, assim, com toda a serenidade, sem mover mais uma palha que seja, e dar-nos-emos por completos. Afinal de contas, há comportas que nunca rebentam e na sua plenitude vão iluminando cidades inteiras.
E se a minha segunda gravidez não chegar a acontecer? Se lá para Dezembro estiver tudo na mesmo? Se isso acontecer, aconteceu. Ponto. Não há por que desesperar, ou considerar outras saídas. Este segundo filho não é uma causa desesperada. Nem eu nem o pai o vemos como uma prioridade a concretizar a todo o custo. Talvez por a primeira nos custar tanto a criar, talvez por passarmos as passas do Algarve para lhe dar aquilo que consideramos o mínimo indispensável, talvez por não nos passar pela cabeça demitirmo-nos da nossa condição de pais nem por um segundo, talvez por os seus primeiros meses de vida terem representado um verdadeiro terramoto nas nossas vidas... talvez por tudo isso, a ideia romântica e idílica de conceber um filho passou à história. Para nós, agora, a concepção de um filho tem muito mais de aventura toldada pelo peso da responsabilidade, do que de sonho alimentado por um imenso AMOR, que de tão grande já não nos cabe nos corações e precisa de desdobrar-se num novo ser. O AMOR continua imenso, bem entendido, mas sentimos que a filha que já temos o absorve como um mata-borrão à beira da tinta derramada. De forma que um novo filho não é já sentido como uma necessidade vital, mas simplesmente uma busca lúcida de equilíbrio, que consideramos importante na vida em família. Digamos que não nos agrada a ideia de vê-la crescer como ÚNICA, nem deverá ser muito saudável fazer dela uma barragem sem comportas, a rebentar com todo o AMOR, que é em nós uma termenda energia, renovável e inesgotável. Não é bom. Um irmão representaria aqui, com toda a certeza, o equilíbrio de que precisamos, os três. Ele, que terá direito também à sua cota parte de energia retida, aprendendo a abrir comportas quando assim tiver de ser. A ideia de sermos uma barragem de águas paradas não nos seduz, não queremos correr esse risco, queremos antes ser um rio, ora mais rápido, ora mais pacato, certos de nos virmos a entregar ao mar, um dia.
Para todos os efeitos, fica a impressão em cimento: se a segunda gravidez não acontecer dentro de três anos, deixaremos de esperar por ela, assim, com toda a serenidade, sem mover mais uma palha que seja, e dar-nos-emos por completos. Afinal de contas, há comportas que nunca rebentam e na sua plenitude vão iluminando cidades inteiras.
quarta-feira, 7 de março de 2007
11 meses e 2 semanas
A minha idade quando tive um irmão. A experiência mais marcante da minha vida. Eu sou, aliás, o nascimento do meu irmão. O bebé que me privou de colo, o menino que monopolizou a paciência da minha mãe, o aluno exemplar que fez de mim uma nódoa, o homem a preto e branco que me ensinou as vantagens de ser preterida.
Não sei qual é a idade ideal para se ter um irmão. Sei que esta é muito má. Não me venham com tretas. Eu sei do que estou a falar, porque eu fui, em tempos, a bebé com um irmão. Não quis isto para ti, R.. Agora sim, está na hora.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
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